Young lembra da mobilidade a pé, mas peca por querer afrouxar fiscalização
As propostas de governo de candidato Ricardo Young apontam para uma cidade moderna e tecnológica, mas algumas de suas falas precisam ser renovadas. No documento registrado no site do TSE, a equipe do candidato destaca a reorganização da mobilidade da cidade e gerenciamento da demanda através de mecanismos como o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. Outro ponto notável é a menção à melhoria das condições da cidade para quem caminha, citando inclusive os seis objetivos da Mobilidade a Pé reclamados pela Cidadeapé.
Outras propostas interessantes são a reforma de calçadas através de responsabilidade compartilhada com moradores e moradoras, a “expansão das ciclovias de forma inteligente e integrada”, a integração de sistemas de bicicletas compartilhadas com terminais de ônibus e o incentivo à implantação de serviços ao longo de ciclovias.
Apesar dos avanços contidos na proposta, o candidato deu escorregadas bastante preocupantes na sua participação nas sabatinas promovidas pela Rádio USP: além de alegar uma suposta má implementação das ciclovias, o candidato sugeriu que não há necessidade de os limites reduzidos das velocidades máximas serem mantidos durante a madrugada nas marginais e que deveriam ser retiradas as “armadilhas” da fiscalização. Discordamos com veemência dessa crítica por saber que a maior parte das ocorrências de trânsito com vítima acontecem justamente de noite e de madrugada, e que a fiscalização precisa ser intensificada para que os motoristas mantenham um bom comportamento durante todo o trajeto executado com veículos motorizados, independentemente da existência de radares.
Veja como ficaram as propostas e pontuações do candidato:
Sabatina na rádio USP
“A solução para a mobilidade urbana hoje já não é mais segredo. Há cinco, seis anos atrás era, hoje não é. Temos que diminuir o uso privado do automóvel. E temos que modificar os modais e incentivar o transporte público e o transporte individual de natureza pública, hoje conhecido como táxi, uber e assim por diante. Estamos caminhando nessa direção, acho que São Paulo está mudando a sua cultura em relação aos multimodais. As ciclovias foram uma iniciativa positiva nesse sentido. A regulamentação urbana recente das plataformas de transporte individual estão contribuindo para que a classe média principalmente deixe os carros em casa e utilizem mais esse tipo de transporte, mas estamos muito longe da solução.”: não chega a trazer proposta na fala, por isso não pontua
“O nosso transporte público municipal tem grandes limitações porque é de baixa tecnologia, não resolve a questão dos congestionamentos e do tráfego e é poluente. Então precisamos incentivar e acelerar, em conjunto com o Estado, o transporte sobre trilhos na cidade. É impressionante como todo o modal transporte sobre trilho está parado, os monotrilhos estão parados, as linhas do metrô que deveriam ter sido entregues na Copa estão atrasadas em dois anos e não há no município de SP nenhum incentivo para o transporte sobre trilhos. Então, a política será continuar com o multimodal, incentivar e ampliar a cicloatividade, melhorar as calçadas, principalmente nos circuitos de maior uso dos pedestres e incentivar investimentos em transportes sobre trilhos. E diminuir o monopólio que existe hoje no transporte público sobre pneus, os ônibus – as concessões de ônibus na cidade.Essa gestão tem uma característica que tenho combatido muito como vereador que são boas iniciativas com má implementação. As ciclovias são quase 400km de ciclovias, mas mais de 2/3 delas estão precárias.”: 127 pontos (20% do compromisso 3.1.2)
“A mesma coisa ocorre com a questão da velocidade. Sim, é uma medida acertada. Não é uma medida acertada para 24h por dia. Nas marginais, as velocidades poderiam ser liberadas a partir das 22h até às 6h. Mas porque a medida é acertada? Há vários estudos sobre isso. (explicação – diminui acidentes) Qual o problema dessa medida? Foi implantada sem preparar a população para isso, sem criar uma cultura junto ao motorista, explicar porque. E por causa das armadilhas de multa – há muitos gatilhos e armadilhas na passagem de uma via pra outra. O motorista não é avisado sobre a redução da velocidade, então nas alças de passagem ele é multado. Então existe o interesse subrreptício de aumentar a arrecadação de multas em cima dessa política. Então embora a política seja correta, as consequências dela estão sendo danosas. Embora estejamos sim numa realidade de transporte mais seguro – o paulistano está pagando muito caro por essa política.Manteria as velocidades, mas faria um trabalho de divulgação e publicização. Tiraria os radares das alças de transição e acabaria com essas armadilhas que estão fazendo com que a gente tenha chegado a 1 bilhão de arrecadação em multas, isso é um absurdo.”: -1000 pontos negativos (Super Trunfo – Candidato perde por falar sobre volta das velocidades nas marginais, indústria da multa e rever ciclovias/ciclofaixas)
Propostas de governo registradas no TSE
O modelo urbano e a gentrificação (processo de valorização imobiliária de bairros com subsequentemente “expulsão” dos moradores de menor renda) distanciam cada vez mais os trabalhadores dos seus empregos, criando a necessidade de grandes deslocamentos. Sem planejamento e projeção, criam‐se “puxadinhos”, conforme os serviços de mobilidade não dão mais conta da demanda. Corredores de ônibus, ampliação de vias e criação das ciclovias, que poderiam solucionar a malha de transporte em São Paulo, são exemplos desses puxadinhos pela falta de planejamento, como também pela falta de um olhar que abranja a cidade para então conectá‐la.: 400 pontos negativos (contraria o compromisso 3.1.3)
O Plano Diretor Estratégico (PDE) e o Zoneamento ‐ Lei de Parcelamento Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) apresentam uma lógica desejável de organização das demandas de habitação, emprego e consequentemente de deslocamentos. Os Eixos de Adensamento ou Zonas Eixo de Estruturação e Transformação Urbana concentram a demanda de habitação e emprego ao longo dos eixos de transporte público e viários mais estruturados, aliviando os centros dos bairros e criando “zonas de amortecimento”. Dessa forma é preciso integrar os pequenos deslocamentos, dentro dos bairros, com os grandes deslocamentos entre bairros e distritos, e essa é uma das abordagens do Plano de Mobilidade de São Paulo (PlanMob): 134 pontos (20% do compromisso 4.3.7)
Segurança absoluta para quem anda a pé: 108 pontos (20% do compromisso 5.1.2)
Calçadas caminháveis para todos: 187 pontos (20% do compromisso 2.1.3)
Valorização da mobilidade a pé como meio de deslocamento na cidade: 142 pontos (20% do compromisso 1.4.5)
Sinalização específica para a mobilidade a pé: 57 pontos (20% do compromisso 2.4.2)
Travessias e espaços de compartilhamento da via com prioridade total às pessoas deslocando a pé: 131 pontos (20% do compromisso 2.2.2)
Estabelecer e consolidar a rede de mobilidade a pé: 531 pontos (100% do compromisso 2.1.4)
Para isso uma revisão da lei das calçadas que considere os modelos de coprefeituras e responsabilidade compartilhada na qual o morador cuida da calçada de forma integrada às demais casas e ruas, mediadas pelo núcleo de obras e zeladoria, inclusive com incentivos aos moradores das ruas mais adequadas: 210 pontos (nova proposta, não constante em nossa agenda)
Tendo assegurado as melhores condições para o pedestre é necessário então a integração de diferentes modais em função da demanda de deslocamento desse modelo de cidade adensada. Isso significa modais de curto deslocamento dentro dos bairros, conectados com modais de médio deslocamento entre os bairro e “zonas de amortecimento” modais de de grande deslocamentos concentrados nos eixos de adensamento: não tem paralelo com nenhuma proposta da nossa agenda
As ciclovias por exemplo, são extremamente desejáveis. Desde que cumpram sua função de deslocamentos médios dentro e entre bairros: 487 pontos (50% do compromisso 1.1.8)
Precisam assim estar integradas à terminais de ônibus equipados para receber a demanda de ciclistas. Nosso programa de governo pretende expandir as ciclovias de forma inteligente e integrada: 198 pontos (30% do compromisso 1.2.1)
Com a integração de modais de forma estruturada e inteligente cria‐se o contexto para o principal, possibilitar e estimular que o paulistano deixe o carro em casa e gradativamente passe a depender menos do carro para que a cidade possa estar mais atenta às necessidades das pessoas e menos dos carros: 400 pontos negativos, por sugerir que políticas de desincentivo ao automóvel devem ser apenas posteriores à melhoria dos outros modos de transporte
Para isso estimularemos e desenvolveremos sistemas de compartilhamento de veículos como os pontos de bicicletas compartilhadas nos bairros e integrados aos terminais: 315 pontos (40% do compromisso 1.3.4)
A proposta é uma tecnologia integrada em parceria com os diferentes aplicativos de mobilidade com acesso aos dados públicos da plataforma de inteligência urbana que conecte todas as possibilidades de deslocamento solicitada pelo usuário e apresente os melhores modais em termos de preço e tempo: não tem paralelo com nenhuma proposta da nossa agenda
O secretário dos transporte não será presidente da SPTrans conferindo maior transparência aos contratos e eficiência dos serviços: não tem paralelo com nenhuma proposta da nossa agenda
Revisão dos contratos do transporte público: não tem paralelo com nenhuma proposta da nossa agenda
Criação do Sistema de Mobilidade Urbana e Governança da Mobilidade: 255 pontos (40% do compromisso 4.2.1)
Substituição da frota da prefeitura por sistema inteligente de veículos elétricos computadorizados que permitam diminuir a quantidade de veículos pela escala de uso, georreferenciamento, e controle de gastos: não tem paralelo com nenhuma proposta da nossa agenda
Estímulo a Veículos Elétricos e Tecnologias de Baixo Carbono: não tem paralelo com nenhuma proposta da nossa agenda
Estímulo a serviços de alimentação, pontos de parada e lazer, equipamentos, acessórios e manutenção de bicicletas ao longo das ciclovias e integrados aos diferentes modais, tornando a bicicleta mais atrativa para uma parcela maior da população: 130 pontos (nova proposta, não constante em nossa agenda)
(Fontes: Propostas no site do TSE e entrevista para rádio USP)
Total de pontos: 3013 pontos positivos e -1600 pontos negativos. Salto de 1413 pontos positivos, que normalizados em relação à pontuação com os outros candidatos e candidatas se torna 56.