Campanha esquizofrênica de Marta a coloca em quarto lugar no ranking

Nas duas últimas semanas do primeiro turno, a candidata Marta (PMDB) reforçou mais suas ideias de retrocesso na mobilidade urbana do que apresentou propostas novas. O maior destaque – e o que deixou eleitores mais confusos – foi a defesa de uma inspeção veicular “gratuita e opcional”, na qual a Prefeitura (e portanto, toda a população) pagaria duas vezes pelo ônus, em vez de cobrar apenas dos motoristas.

Vale destacar que essa medida, sendo opcional, tem pouquíssima possibilidade de impactar efetivamente os índices de poluição, além de representar uma inversão de prioridades. Se a Prefeitura arcar com todos os custos da inspeção veicular, isto significa que, mais uma vez, todos os cidadãos e cidadãs paulistanas pagarão por um benefício que se destina somente a quem usa automóvel.

A campanha de Marta tem sido, de forma geral, esquizofrênica, pois ela é uma das candidatas com programa de governo mais bem escritos e interessantes para a mobilidade ativa. Tal texto, porém, esbarra na não concordância da candidata em aceitá-lo ou em uma falta de comunicação interna sobre quais são as prioridades de gestão, o que o torna inútil na prática.

Mais valeria a candidata dedicar-se a explorar outra proposta sua: a de alterar a licitação do sistema de ônibus municipais para promover a transição dos combustíveis para combustíveis limpos. Sua ideia é substituir o diesel por alternativas mais limpas em um prazo de oito a dez anos.

Outra proposta positiva apresentada ao longo de sua campanha é a reformulação do Bilhete Único, apesar de a candidata não esclarecer detalhes. Deixamos aqui nossa sugestão: já que pretende custear a inspeção veicular para motoristas, por que não pagar pedestres e ciclistas por seus deslocamentos não poluentes?

Por fim, lamentamos o tom raso do discurso que Marta repetiu exaustivamente ao longo das últimas semanas, insistindo na existência de “radares pegadinha” e tentando dissociar a redução das velocidades à redução de acidentes. Para justificar afrouxamento na fiscalização por radares, aborda um suposto reforço na Lei Seca, ignorando ser essa responsabilidade do Estado, e fala sobre impedir pessoas de circular nas marginais, como se alguém pudesse ser impedido de quebrar seu carro ou caminhão na pista expressa.

Principais falas da candidata:

Debate Record (25/09):
Reforça que a inspeção veicular será gratuita, opcional e que quem fizer terá desconto no IPTU: proposta já avaliada anteriormente

Diz que, em relação ao assédio nos ônibus, as câmeras que já existem terão consequências, que hoje não têm. Diz também que vai iluminar a caminhada até o ponto de ônibus: 114 pontos (20% do compromisso 3.1.7)

Debate Gazeta (18/09):
“Eu vou mexer bastante no Bilhete Único porque ele não funciona como deveria estar funcionando quando foi criado, no sentido principalmente de recarga do Bilhete Único, que as pessoas fazem fila para conseguir recarregar. E também na frequência de ônibus, que está muito desorganizada”: compromisso 3.1.3, já avaliado anteriormente

“E também na nova licitação dos ônibus, eu vou aprimorá-la para que também entre a questão do combustível, do diesel”: compromisso novo, já avaliado anteriormente

“E vamos também fazer novos corredores, cem quilômetros de corredores na cidade de São Paulo.”: compromisso 3.1.3, já avaliado anteriormente

Sabatina OAB (13/09): “Agora, vamos ter que entrar em cima dos ônibus, porque os ônibus poluem tanto quanto, e nos ônibus a licitação tá aí pra ser feita, não foi completada. Nós vamos entrar na questão do diesel, que polui muito a cidade. Não adianta quem disser que vai acabar com o diesel em ônibus em quatro anos, é muito complicado, a gente pode ter um compromisso de oito a dez anos, que eu acho que seria razoável para trocar a frota.”: compromisso novo, já avaliado anteriormente

SPTV:
“A inspeção veicular vai ser algo possível para quem quiser fazer e quem fizer vai ter o desconto do IPTU. Você vai ter alguns lugares na cidade que farão esse serviço para quem quiser, gratuitamente, e a prefeitura vai bancar. E ‘êta’ dinheiro bem gasto. Sabe por que? Porque vai ajudar a despoluir a cidade. Então, o cidadão que quiser dar essa contribuição, que puder dar essa contribuição, a prefeitura vai fazer esse desconto para ele no IPTU. E vamos ficar muito contentes de fazer isso”.

G1:
“Velocidade vai voltar como era antes. São Paulo é uma cidade nervosa, dinâmica. Toda via expressa tem velocidade maior que outras vias. É feita para isso.”

“Prefeito (Fernando Haddad) associa a diminuição da velocidade à diminuição da mortalidade. Não vou contestar. Outras cidades têm soluções diferentes. Porto Alegre, Belo Horizonte e Campinas. Fiscalização de bebidas foi importante. O uso de celular, bebida e buraco causam acidentes nas vias expressas. Essas cidades focaram nas bebidas, fizeram fiscalização à noite e tiveram enorme sucesso.” “Vamos fazer fiscalização disso, colocar grades nas marginais”, disse. “Temos 8 mil pessoas na favela, as pessoas cruzam. Se tem carro parado tem engarrafamento, cruzamento de pessoas, casinha de cachorro que as pessoas param (para comprar).”