Mesmo se dizendo ciclista, Russomano precisa fazer lição de casa

O candidato Russomano começou as sabatinas afirmando que pedala, mas cometendo vários erros sobre a política de mobilidade urbana por bicicleta. O candidato perdeu pontos ao afirmar que as ligações do centro com a periferia são muito longas para ser um caminho frequentemente usado por ciclistas, além de afirmar que as ciclovias não precisam estar na avenidas principais e repetir o amplamente refutado argumento que as ciclovias de Sâo Paulo “não tiveram planejamento”. Também minimizou os excelentes resultados da redução de velocidades e afirmou que irá retornar os limites de velocidades das marginais.
Embora tenha pontuado claramente o apoio à expansão da rede de corredores de ônibus, e valorizado bastante a importância da intermodalidade entre bicicletas e ônibus, o que é positivo, se posicionou contra a iniciativa da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET – de auxiliar a fluidez do transporte coletivo e voltou a citar a proposta que cobraria mais caro a tarifa do ônibus das pessoas que moram mais longe do trabalho. Apesar das bolas-fora, o candidato foi enfático na proposição da instalação de bicicletários em todos os terminais de ônibus (apesar do candidato não saber que todos os terminais já têm bicicletário). Porém, como as declarações negativas foram muito mais numerosas, o candidato ficou bem abaixo da média de outros candidatos.

Veja o que disse o candidato:

Sabatina UOL

“Pedalo 40-50km por dia!” Deveria ter sido feito estudo de impacto de vizinhança, Superintendência tem uma superintendente e 2 funcionários “aí ela vai olhando a cidade e vai falando: ‘vou riscar aqui, vou riscar aqui’ e vai riscando ou seja, não houve estudo” “nós tinhamos em média 240km de congestionamento e hoje temos 500” “nós atrapalhamos mais a vida da cidade” “sou favorável as ciclovias, mas com estudo de impacto”: 400 pontos negativos

“Ciclovia e ciclofaixa não precisa passar na principal, ela pode passar na paralela”: 600 pontos negativos

“O paulistano não vai de bicicleta ao trabalho porque não tem bicicletário em lugar nenhum” “Deveria ter bicicletário nos terminais de ônibus, metrô”: 660 pontos (100% do compromisso 1.2.1)

“A pessoa que mora na periferia não consegue pedalar 40km para ir de bicicleta ao trabalho, então tem que ter integração com Ônibus”: 200 negativos

“Dados foram inventados pela superintendência, operadores “não tem notado isso” “A prefeitura mentiu – acredito que sim” Na nossa gestão, os camelôs não estarão andando nas ruas, e as velocidades vão voltar ao que eram: 600 pontos negativos

“Agentes e operadores estão correndo atrás de ônibus nos corredores, e não “fazendo a engenharia de tráfego, e o que a gente precisa, pra mobilidade da cidade”: 200 pontos negativos

“CTB diz que radares devem ser colocados onde há risco e insegurança para as pessoas, nunca foi feito, o que existe é indústria da multa”: 400 pontos negativos

Propõe tarifa menor para transporte intrabairro fora do horário de pico, mantendo a tarifa normal no resto: 400 pontos negativos

“(Ruas Abertas) Quem tem que decidir pelo seu bairro é quem mora no seu bairro” – diz que vai ouvir moradores da rua pra saber se eles querem ou não: 400 pontos negativos

“Interlagos pode ser usado como espaço de lazer, e ele é contra privatizar. Abrir aos domingos e tornar um parque. Problema da violência pode ser melhorado com mais espaços de lazer para a população!”: 289,6 pontos (40% do compromisso 2.5.5)

“Precisamos fazer mais, precisamos cortar a cidade com corredores de ônibus”: 378 pontos (50% do compromisso 3.1.3)


Total: 667,6 pontos positivos e 2740 pontos negativos. Balanço negativo. Normalizando a pontuação com os demais candidatos, Celso Russomanno fica com 38 pontos.


Fontes: Sabatina UOL, Folha e SBT e Sabatina Estadão (julho de 2016)