Haddad precisa confrontar propostas que sinalizam retrocessos graves
No que se refere à mobilidade, o candidato à reeleição Fernando Haddad (PT) apresenta um currículo positivo como prefeito. Ele tocou a revisão do Plano Diretor Estratégico e da Lei de Zoneamento, que são importantes diretrizes de longo prazo para o desenvolvimento urbano da cidade, além de implementar extensa infraestrutura cicloviária e colocar os modos ativos e coletivos de transporte como prioritários ao decretar o Plano Municipal de Mobilidade Urbana.
Se as ações do atual prefeito são elogiadas internacionalmente, na cidade elas têm sido pressionadas pelo debate abaixo da crítica relacionado à mobilidade urbana dessas eleições. Talvez nem o próprio candidato esperasse propostas que são, ao mesmo tempo, tão rasas, reativas e populistas como as apresentadas pela ala de candidatos que defendem impunidade a infratores de trânsito, volta de altas velocidades na cidade ou retirada (velada ou explícita) dos incentivos aos modos ativos – o que vai frontalmente contra a lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana ou a agenda internacional de redução de emissões.
No entanto, se o candidato esperava ou não um nível de debate como esses não importa. Fato é que, como prefeito, Haddad tem passado muito tempo defendendo sua gestão. Porém, se acredita nas coisas que implementou e em sua visão de cidade, mais do que defender-se, Haddad deve tomar a iniciativa de confrontar as propostas que sinalizam retrocessos graves de forma mais enfática, mudando o terreno da disputa narrativa para algo mais próximo ao que acredita e que demonstra ser uma de suas principais bandeiras de governo.
Fernando Haddad tem um programa de governo consistente, propondo a continuidade em algumas questões relacionadas à mobilidade alinhadas à nossa agenda e que são, infelizmente, ainda raras nos discursos dos candidatos. Tal programa, se usado em uma agenda ao mesmo tempo mais dura e mais positiva, poderia elevar o nível do debate para acima da mediocridade atual. O mesmo pode ser dito sobre os programas das candidatas Marta (que ela não leu ou, pior, parece discordar) e Erundina (que vive seus próprios dilemas), e do candidato Young (que tem pontos positivos e outros bem discutíveis). Como ainda não é o caso, o candidato quase não pontua nessa nova atualização do ranking.
O que disse o candidato
Entrevista à CBN:
Ampliação do rodízio municipal: sou contra – 200 pontos negativos
Debate RedeTV!
“Cidade Tiradentes, Guaianazes, Jd.Helena, Heliópolis, Jd. Ângela, Vila Brasilândia, Raposo Tavares, são bairros 100% com iluminação LED. Já troquei 85.000 lâmpadas até 2018. Vou acoplar, nas áreas de grande fluxo de pessoas, seja comércio, seja praça WiFi, seja UBS, acoplar câmeras de monitoramento com inteligência num convênio que fizemos com a USP. A prefeitura desenvolve um software inteligente de seleção de imagens para ajudar o poder público. A prefeitura é parceira no programa do governo de estado chamado Detecta que só aconteceu por causa da prefeitura.”: 289 pontos (40% do compromisso 2.4.4)
“É evidente que se uma pessoa, de Itaquera para o Parque Dom Pedro, leva duas horas, ela tem que estar acelerada, mas o ônibus não está acelerado. A cidade precisa funcionar melhor para que as pessoas desacalerem e possam viver melhor.” – Propaganda eleitoral #3 – Relacionado ao compromisso 3.1.3, não pontua por ser repetido.
Propaganda eleitoral #8
“Seu trajeto até a praça wi-fi, até o CEU, até o posto de saúde, até o hospital, precisa ficar mais seguro. Para que, cada vez mais você se sinta em casa caminhando pela cidade.” – Propaganda eleitoral #8 – Relacionado ao compromisso 2.4.4, não pontua por ser repetido.
Total: 289 pontos positivos e 200 pontos negativos, totalizando 89 pontos. Normalizando com outros candidatos, chega a 65 pontos