Young (REDE) fica na zona intermediária devido a indecisões com relação à mobilidade ativa

Para uma agenda de mobilidade, em especial a de mobilidade ativa (deslocamentos a pé e por bicicleta), a campanha de Ricardo Young (Rede) encerra este primeiro turno com uma divisão entre propostas interessantes e indecisões comprometedoras. Talvez, este balanço se dê porque o candidato se preocupou demais em revolucionar o sistema de gestão da cidade, propondo o “jeito Waze de governar”, e não se debruçou o suficiente sobre como desenvolver melhor os grandes avanços que foram conquistados.

Um exemplo disso é que Young fala bastante da importância de fazer campanhas de comunicação, mas não sinaliza com clareza com quais expansões se compromete, ou como se compromete. O candidato nunca deixa claro quais são as metas – afirma que vai ampliar a infraestrutura cicloviária, mas não diz quanto, ou para onde.

Dentre os posicionamentos dúbios, Young se diz a favor da redução de velocidades, mas ainda se mostra indeciso sobre criar um horário às madrugadas para que elas voltem a aumentar. É nas madrugadas, porém, que ocorre a maior parte dos atropelamentos fatais. Também se posiciona como um dos que acredita haver uma “indústria de multas” e radares-armadilha, algo que parece não condizer com sua visão de respeito à vida e desestímulo aos automóveis.

O mesmo acontece com as bicicletas e as ciclovias. Ao mesmo tempo que parece reconhecer a importância e o lugar das bicicletas na mobilidade e afirma que expandirá o sistema cicloviário “de forma inteligente”, Young defende que as ciclovias foram feitas como um “puxadinho” – às pressas e sem planejamento – o que ignora e desqualifica toda a mobilização social do movimento cicloativista para conquistar tais espaços. Curiosamente, é exatamente com esse tipo de participação popular que Young contaria em um eventual “governo Waze”. O candidato também parece não entender o quão prática é a bicicleta como veículo, sugerindo às vezes burocratizar algo que é simples.

Ainda assim, Young demonstra uma preocupação clara em desestimular o veículo individual motorizado, sabendo que esta é uma das principais soluções para o problema da mobilidade. Também parece ter uma preocupação genuína sobre o controle e redução de emissões dos veículos e é um dos poucos a ter algo específico sobre mobilidade a pé em seu programa de governo. Além disso, Young chama a atenção para a nova licitação dos ônibus, que em sua visão é preocupante, e é importante que alguém como ele e Luiza Erundina (PSOL) tragam esse debate.

 

O que disse o candidato sobre itens novos que pontuam; itens repetidos não estão listados abaixo.

G1
“- É a favor de táxis nos corredores de ônibus // Sim” – Relacionado ao compromisso 3.1.3, negativo, perde 200 pontos.

R7
“As ciclovias foram importantes? Foram. Mas carecem de integração com os outros modais, precisa de mais sinalização na cidade, mais informação para o motorista. Nós precisamos de ciclovias mais seguras, de itinerários mais claros.” – Relacionado ao compromisso 1.4.6, ganha 239 pontos

Encontro com candidatos no Dia Mundial Sem Carro
“Precisamos reformar as calçadas, pedestres não são estimulados. Temos que identificar aqueles que tem maior uso público e reformar estas calçadas”, Relacionado ao compromisso 2.1.8, ganha 371

“Precisamos de uma autoridade metropolitana de transporte que articulem as 5 empresas (CET, SPTrans, EMTU, CPTM e Metrô) numa forma multimodal” – Relacionado ao novo compromisso de articulação com outros municípios, ganha 240 pontos