Último do ranking, Russomanno fez por merecer

Tão logo a campanha eleitoral começou a apontar que Celso Russomanno (PRB) não estava tão confortável no primeiro lugar das intenções de voto como parecia nas primeiras pesquisas, o candidato começou a desfilar propostas indecorosas, que desafiam a legalidade e vão contra seu próprio programa de governo, onde diz respeitar a Política Nacional de Mobilidade Urbana e o Plano Municipal de Mobilidade. Russomanno aparece em último no ranking da Mobilidade Ativa e não é por pouca coisa.

Logo nas primeiras sabatinas, Russomanno afirmara que gravaria um vídeo com depoimentos de funcionários da CET para provar que a companhia estava manipulando, ou mesmo mentindo, sobre os dados de queda nas mortes do trânsito. O vídeo nunca apareceu. Em seguida, o candidato passou defender a anistia a motoristas infratores multados e a volta das altas velocidades na cidade. Também usou sua posição de ciclista para dizer que a infraestrutura cicloviária foi responsável por aumentar o congestionamento na cidade, foi implantada sem critério e que ajuda a “destruir” o comércio, sinalizando com fortes retrocessos frente a essas conquistas da sociedade civil.

Com dados muitas vezes dúbios, é da ala que insiste que há uma “indústria da multa”, como se estivesse protegendo o direito do consumidor ao falar sobre a questão dos recursos. E a visão de Russomanno sobre o cidadão, infelizmente, se restringe a tratá-lo como um consumidor. Ao pensar em pedestres, o elo mais frágil do trânsito, o candidato aparenta jogar a responsabilidade por qualquer problema a eles, dizendo que é preciso conscientizá-los para usar a faixa, quando a agenda de desestímulo ao uso de automóveis, crucial ao falarmos de Política de Mobilidade, não aparece em seu discurso.

Como saldos positivos, o candidato defende a necessária descentralização no desenvolvimento da capital paulista, aumentar a qualidade das faixas de ônibus e de ônibus e fiscalizar as calçadas, embora avalie que gerar emprego nas periferias possa ser feito com a criação de mais shopping centers, que desestruturam comércio de rua.

Veja as principais falas do candidato:

Debate Gazeta

A gente precisa mais do que isso na cidade de São Paulo. A gente precisa da descentralização da cidade de São Paulo. Só descentralizando esse movimento de todos os dias pro centro da cidade, voltando, indo e voltando, que nós vamos melhorar a qualidade do transporte coletivo. E como nós vamos fazer isso? Nós vamos gerar emprego nas periferias. Assim, a pessoa trabalha no bairro e consome no bairro. Nós queremos que o empresariado monte shopping centers nas periferias: 600 pontos negativos, referente ao compromisso 2.1.2

Com a descentralização da cidade, como em qualquer cidade do mundo – estive recentemente no Japão, estudando Tóquio. Tóquio é uma cidade descentralizada, só assim as coisas funcionam. Você mora no bairro, você estuda no bairro, você trabalha no bairro, você consome no bairro. Isso que nós pretendemos pra cidade de São Paulo. Uma cidade mais justa, para todos. Uma cidade com maior qualidade de vida para todos: compromisso com o Plano Diretor Estratégico, já avaliado anteriomente

Debate Record

As multas devem ter um efeito educativo. Na gestão atual, elas têm como objetivo a arrecadação. Vou suspender as multas até que os recursos sejam julgados: SuperTrunfo, já perdeu pontos anteriormente

A educação de trânsito tem que começar nas escolas para que o jovem de hoje seja um bom motorista e o bom pedestre. A comunicação também tem que existir para que as pessoas entendam que o trânsito mata, que produz uma quantidade imensa de pessoas com deficiência e que isso não pode ser permitido: contra o compromisso 2.5.3, já avaliado anteriormente

Rádio SulAmérica Trânsito

O pedestre também é responsável e precisa ter consciência. Se não faz educação de trânsito, ele não respeita a faixa : contra o compromisso 2.5.3, já avaliado anteriormente

RecordNews

Precisamos aumentar a quantidade de faixas de ônibus e melhorar a qualidade dos ônibus.: compromisso 3.1.3, já avaliado anteriormente

SPTV

Olha, não é anular, é suspender até que o recurso seja julgado. Isso é o que estabelece o Código de Trânsito Brasileiro. Eu fui membro da comissão que fez o Código Brasileiro de Trânsito e essa é a determinação. Tem que fazer o julgamento da multa, cado contrário ela deve ser suspensa. Então ela é suspensa até que seja feita o julgamento. O que não pode acontecer é o que está acontecendo atualmente. São pacotes e pacotes e pacotes de recursos e as pessoas não têm esses recursos julgados. Por sinal, as pessoas que têm pontos nas carteiras, que indicam condutor, isso fica lá abandonado. E quando a pessoa vai ver ela já perdeu a carta dela. O poder público tem de ser presente na vida do cidadão e dar prestação de serviço de qualidade. Infelizmente, essa não tem. Então, vamos julgar. Se tá errado, a multa está mantida. Se não estiver errado, a multa tem de ser suspensa: SuperTrunfo de “indústria da multa”, perde 2000 pontos.

G1

É a favor da paulista aberta ao público aos domingos? – Sim, o povo que decide: 600 pontos negativos, referente ao compromisso 2.5.5

JovemPan

Com relação à questão da velocidade nas marginais, eu tenho aqui documentos, que eu deixo à disposição de vocês, que mostra que não diminuiu a quantidade de acidentes. Ninguém vai na marginal, atravessa a marginal, pula dentro do rio, nada, e vai pro outro lado. As pessoas que estão vendendo produtos na marginal, é obrigação da prefeitura conter. Porque em pista de velocidade, você vai ter atropelamento, não é local pra vender produtos. Nós vamos voltar sim aos limites anteriores porque não existe estudo nenhum que garanta o que a prefeitura fez. Existe sim uma indústria de multas na cidade de São Paulo que eu vou conter: SuperTrunfo de aumento de velocidades, perde 2000 pontos