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A plataforma MobilidadeAtiva.org.br foi criada a partir de uma parceria inédita entre as associações Ciclocidade e Cidadeapé, com o objetivo de acompanhar e ajudar a melhorar o debate sobre os modos ativos de transporte (bicicleta e a pé) nas eleições municipais da cidade de São Paulo em 2016.

O site acompanha os compromissos e posicionamentos das candidatas e candidatos mais expressivos sobre os principais temas relacionados direta ou indiretamente a quem caminha ou pedala na cidade.

O monitoramento é realizado por voluntárias e voluntários das duas associações e atenta-se a tudo o que é falado em debates, sabatinas, entrevistas, redes sociais e horário eleitoral gratuito. Os prefeitáveis são então posicionados em uma escala de humanização de cidades, de acordo com o quanto estão efetivamente se comprometendo com avanços para a agenda da mobilidade ativa em São Paulo.

Para mais detalhes sobre as regras do monitoramento, veja abaixo.

 

Como funciona a avaliação da plataforma

 

A avaliação de candidatas e candidatos ao executivo municipal será feita de acordo com a seguinte metodologia:

 

A) Criação da Agenda da Mobilidade Ativa

Foi elaborado, pelas organizações Ciclocidade e CidadeaPé, um documento com um conjunto de propostas de políticas públicas de promoção da mobilidade ativa a partir do Plano Municipal de Mobilidade, Plano Diretor Estratégico e de nossas demandas vinculadas a marcos legais.

Houve uma priorização das propostas por eixo temático a partir de um questionário online apresentado em consulta pública, e que obteve 725 respostas do público em geral. Os resultados desta consulta pública podem ser conferidos aqui:

RESULTADOS DA CONSULTA PÚBLICA

 

B) Acompanhamento das manifestações públicas de candidatas e candidatos.

Daqui pra frente cada candidato/a terá seus discursos e propostas acompanhados semanalmente por nossas equipes. Apenas valerão as falas e textos cujas fontes tenham sido ou uma entrevista completa (como, por exemplo, uma sabatina), com conteúdo disponível publicamente, ou sites e propostas de governo de acesso público (registradas no TSE e no site oficial da campanha). Assim, evita-se más interpretações e eventuais distorções de fala e contexto. As notas serão atualizadas todas as segundas-feiras e no dia seguinte aos debates. No caso de debates transmitidos, as equipes farão um trabalho especial de monitoramento e avaliação.

 

C) Candidatos/as escolhidos/as

Foram escolhidos, para apreciação, candidatas e candidatos melhor posicionados nas pesquisas de intenção de voto, ou aqueles que buscaram a nossa equipe com desejo de aderir ao conjunto de propostas da Agenda da Mobilidade Ativa.

Vale destacar que a Ciclocidade e a Cidadeapé entraram em contato com as principais candidaturas (segundo a projeção do partido e as pesquisas disponíveis), antes do período eleitoral, para ofertar uma apresentação da Agenda. As reuniões que ocorreram podem ser conferidas nos links a seguir:

 

D) Tradução das falas e propostas de candidatas e candidatos em uma pontuação

Foi elaborada uma planilha onde se avalia diversas variáveis e é estipulada uma pontuação por candidata/o, a partir dos passos:

 

  • 1º passo: Se considera o alinhamento da fala ou não à Agenda e em relação a quais propostas ela faz referência. Com isso sabe-se se a pontuação gerada é positiva ou negativa.
  • 2º passo: se avalia a qualidade da proposta segundo os seguintes critérios:

Complexidade: Qual o número de ações e articulações dentro do governo e com o legislativo são necessárias para efetivar a proposta (muitas/poucas)? Qual o tamanho do trabalho? Qual a coragem e vontade políticas necessárias?

Investimento de recursos: qual o montante a ser investido para realizar e manter a política?

Perenidade da ação: trata-se de algo pontual, como um evento, ou uma política pública de longa duração e perenidade?

Escala de impacto: qual o efeito concreto que tem na resolução de problemas para efetivar o direito à mobilidade ativa e uma mudança de paradigma do modelo de mobilidade urbana? Cada um desses parâmetros de “curadoria” possui uma escala de 0 a 100, somando um máximo de 400. As gradações desta curadoria podem ser vistas nesta tabela.

  • 3º passo: Calcula-se (de zero a um) em que medida cada afirmação atende às respectivas propostas. Se ela for mais específica, pontua mais que falas genéricas. Se der conta do texto de forma mais exata, também pontua mais.
  • 4º passo: Peso atribuído pelo público (na consulta pública), multiplicador de 0 a 3. A pesquisa online elencou as prioridades do público relacionadas à Mobilidade Ativa. Tais prioridades se traduzem em um percentual de respostas que elencam quão importante um determinado compromisso deve ser. Por exemplo, “manutenção das Câmaras Temáticas de Bicicleta e Mobilidade a Pé” é elencado como prioridade por 60% das respostas. O grau máximo de priorização nas respostas da pesquisa foi de 85%, então todos os outros itens foram normalizados a partir deste para gerar uma escala de 0 a 100%. Após a normalização, aplicamos uma fórmula de “1 + (2 x %)” para que o multiplicador ficasse entre 0 e 3. A priorização segundo a pesquisa, a normalização e a aplicação da fórmula podem ser vistas nesta tabela.

 

A nota final, portanto, é composta pelo peso atribuído pela curadoria multiplicado pelo peso atribuído pelo público multiplicado por quanto a proposta do candidato se adequa aos temas da pesquisa. O máximo que um candidato pode chegar é a 52.196 pontos.

Um exemplo prático de aplicação seria a já citada “manutenção das Câmaras Temáticas de Bicicleta e Mobilidade a Pé”. A proposta possui um peso total de curadoria de 220, um multiplicador de peso de público de 2,42 e um multiplicador de 1 caso o candidato se manifeste em favor de mantê-las. Ao assumir esta proposta, portanto, um candidato soma 532 pontos à sua pontuação geral. O mesmo vale para todos os outros compromissos.

Muitos dos posicionamentos dos candidatos e candidatas não representam compromissos tão claros e que estejam tão afinados com as propostas da nossa agenda. Por isso, sempre que surgirem propostas novas (que sejam muito diferentes das que lançamos na nossa agenda), ela serão analisadas segundo os parâmetros de qualidade vindos da curadoria. Esta é uma maneira de “premiar” candidatas/os que fizerem propostas com metas e mais ambiciosas.

 

Notas negativas

Já os posicionamentos negativos, ou seja, que contrariam as propostas da nossa agenda, são escalonados entre -200, -400 e -600 pontos, a depender da proposta. No entanto, um posicionamento considerado muito grave e que vai frontalmente contra a agenda da mobilidade ativa, ou seja, afeta diversos itens da nossa pauta, é considerado um super trunfo que faz a candidatura perder 2.000 pontos imediatamente.

Entram neste caso específico: sinalizar que haverá retirada de infraestrutura cicloviária, voltando atrás em conquistas da sociedade civil que levaram anos para acontecer; sinalizar a volta das altas velocidades nas marginais e/ou na cidade, o que afronta a agenda de redução de mortes no trânsito; e sinalizar retrocessos na fiscalização de motoristas infratores, insistindo que existe uma “indústria da multa”, algo que vai contra um dos pilares da implantação de uma agenda de segurança no trânsito. Para cada um desses posicionamentos graves, a candidata ou candidato perde 2.000 pontos cumulativos, o que quer dizer que caso tal candidato se manifeste negativamente sobre esses três pontos, perderá 6.000 pontos.

A cada semana, os coordenadores e coordenadoras dos grupos se reúnem para avaliarem em conjunto as pontuações propostas para cada candidato ou candidata. Todas as pontuações, negativas ou positivas, são referendadas pelo coletivo para garantir que os mesmos parâmetros estejam sendo usados nas análises.

A cada balanço semanal ou debate eleitoral, os candidatos e candidatas ganham um post em suas páginas na plataforma, explicando quantos pontos ganharam ou perderam e porquê, além de aparecerem no ranking geral da página inicial da plataforma. O balanço é enviado para a nossa lista de interessados e para a imprensa.

 

E) Apresentação da pontuação com o ranqueamento das candidaturas

As/os candidatas/os serão posicionadas/os em um cenário, onde a parte mais baixa ilustra uma cidade com menor qualidade de vida e a parte de cima ilustra uma cidade onde se promove a mobilidade ativa e, portanto, uma melhor qualidade de vida. Os pontos serão traduzidos na escala de zero a 100, sendo zero a parte mais baixa. Com isso poderemos visualizar o grau de compromisso com a Agenda da Mobilidade Ativa de cada um/a e fazer a comparação. A posição das candidaturas progride ou regride semana a semana, descendo e subindo no cenário. Cada candidata/o terá ainda uma carta semanal resumindo seu desempenho para que se entenda o porquê de sua posição no cenário.

 

F) Controle social sobre as candidaturas ao longo do período eleitoral

Poderemos, com esses recursos em mãos, mostrar se cada candidatura se aproxima ou se distancia da cidade que queremos, segundo o recorte da Mobilidade Ativa. Então vale pressionar e dialogar com cada candidata e candidato – e seus eleitores – para que haja um compromisso maior com essa Agenda. Por fim, temos o recurso do voto, referendando as candidaturas mais alinhadas com nossas questões e demandas.