Erundina (PSOL) termina primeiro turno como segunda no ranking

Da candidata Luiza Erundina (PSOL), havíamos cobrado na última atualização do ranking, em setembro, o que esperávamos dela: elevar o nível do debate. Até porque ela é diretamente responsável por garantir a mobilidade como um direito constitucional. Se até a metade da campanha a candidata pareceu oscilar entre discutir política nacional e temas da cidade, na reta final Erundina finalmente passou a focar seu bom discurso e propostas interessantes em São Paulo, agregando pautas à mesa em vez de desviar a discussão.

Nesta nova atualização, Erundina cede o primeiro lugar ao atual prefeito e candidato à reeleição Fernando Haddad (PT) principalmente por trazer poucos compromissos além dos que já havia assumido. No ranking da mobilidade ativa, quem se compromete mais sobe no ranking e empurra os outros candidatos para baixo.

A ênfase de Erundina está no transporte coletivo. A candidata apresenta a intenção de municipalizar o transporte como um todo – o que incluiria o metrô (estadual), de ampliar o passe livre e reformular o sistema de ônibus para que seja remunerado por quilômetro rodado. Tais propostas aumentariam o subsídio ao transporte público, o que Erundina pretende cobrir com um plano de metas de resgate da dívida pública ou mesmo a partir de um IPTU progressivo, no qual os mais ricos pagariam um imposto maior. Sinaliza também com a importante mudança de matriz energética para os ônibus e com a expansão das faixas e corredores exclusivos.

Tais propostas são interessantes e é ótimo que estejam sendo discutidas, embora seria proveitoso se aprofundar em sua viabilidade real ou saber quais são exatamente as metas. Embora as ideias da candidata sejam boas, parece haver certa dificuldade em entregar metas relacionadas para cumpri-las, e isso é vital.

Erundina traz também posições claras contra a volta do aumento das velocidades, quer uma cidade para as pessoas e não para os automóveis, mantém em mente a visão de preservar a vida e reduzir mortes no trânsito. Entretanto, não chega a defender com veemencia a necessidade de aumentar a fiscalização, que é uma agenda complementar a todos esses temas, e perdeu a oportunidade de negar a tal “indústria da multa” quando o debate da Record levantou (grosseiramente) o assunto.

Finalmente, a candidata parece possuir uma preocupação genuína de que haja mais participação popular nas decisões governamentais, que em sua visão também devem ser regionalizadas.

 

O que disse a candidata sobre itens novos que pontuam; itens repetidos não estão listados abaixo.

SPTV
“Isso é um plano urbanístico que tem que ser pensado como um todo. Cada região tem suas peculiaridades, tem suas soluções, e uma linha que a gente pretende adotar, não só em relação à habitação, mas em todas as políticas, é descentralizá-las nas regiões administrativas. Que é onde os problemas estão, onde as prováveis soluções podem se colocar, onde o controle público pode se dar de forma mais direta. Nós vamos colocar o poder onde está a sociedade. E essa questão certamente tem um rebatimento muito importante no nível de cada região da cidade” – Relacionado ao compromisso 4.3.5 – complementar, ganha 207 pontos

BandNewsFM
“Não vamos rever, vamos aperfeiçoar, vamos estender naquelas regiões onde é possível e necessário, – e adequado -, e não vamos impor medidas de cima pra baixo. (…) Tem que articular esses vários sistemas, tem que implantar diferentemente nas várias regiões da cidade. Todas as políticas da cidade de SP têm que ser regionalizadas.” – Relacionado ao compromisso 4.3.5, ganha 258 pontos

Encontro com candidatos – Dia Mundial Sem Carro
“As pessoas acordaram de um dia pro outro com a ciclofaixa pintada na frente de casa e sem saber onde parar seus carros” – Relacionado ao compromisso 1.1.2 – negativo, perde 200 pontos

Debate TV Globo
“Motociclistas estão reclamando que estão sendo muito multados” – Relacionado ao compromisso 5.1.2, perde 200 pontos.